28set
2014
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Histórias Contadas

A EVOLUÇÃO DAS HISTÓRIAS CONTADAS – PONTOS IMPORTANTES

O homem aprimorou os seus talentos e se especializou nas artes para ganhar a admiração dos seus semelhantes, como afirma Tahan (1966). Usando a arte de contar histórias para ganhar a admiração das pessoas acabou por tornar-se o centro de atenção popular, através do prazer oferecido por meio das histórias. A contação oral de histórias na antiguidade era vista como inferior às atividades de escrita, no entanto, as pessoas se reuniam ao redor de fogueiras para narrar lendas e contos, pelas quais disseminavam a cultura e os costumes locais. A história tem sido utilizada pelo homem para veicular verdades, conservando as tradições ou difundindo novas ideias. Mas esta era uma atividade dos simplórios – aqueles que não sabiam ler nem escrever. Com o tempo, descobriu-se que as histórias entretinham, causavam admiração e conquistavam as pessoas, fazendo do contador o centro das atenções (SOUZA, 2011).

Bussato (2003) afirma que há registros antes e depois de Cristo, percebendo-se, desta forma, a importância da oralidade na vida do homem desde os tempos mais remotos até a contemporaneidade. É notável a necessidade e a vontade de comunicação do ser humano, compreendendo-se como fundamental a permanência da contação de histórias. Mesmo que, com o passar dos tempos, os contos sejam modificados recebendo as influências do mundo contemporâneo, devem-se preservar a essência e o poder da palavra em encantar as pessoas.

Meireles (1984) traz uma reflexão importante que nos remete ao passado mais recente, acrescentando ao que é citado por Bussato. Para ele, sempre existiu quem contasse histórias, como as professoras de Educação Infantil, as amas de leite e as avós que narravam histórias periodicamente. Infelizmente, hoje em dia, diante de mudanças sociais como a entrada da mulher no mercado de trabalho, o exercício de mais de uma função ao mesmo tempo, a pouca disponibilidade das pessoas, a influência e popularização da mídia, além das tecnologias, parece que existe escassez de contadores de histórias.

História é a narração dos fatos notáveis ocorridos na vida dos povos, em particular e da humanidade, em geral. Um conjunto de conhecimentos, adquiridos através da tradição e/ou mediante documentos, acerca da evolução do passado da humanidade. Ciência e método que permitem adquiri-los e transmiti-los. Narração de acontecimentos, ações, fatos ou particularidades relativos a um determinado assunto. […]. Estória é: narrativa de ficção; exposição romanceada de fatos puramente imaginários (distinta da história, que se baseia em documentos ou testemunhos); conto, novela, fábula: estórias de quadrinhos./ Ant. História.
(FERREIRA, 2008, p. 454)

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA AS CRIANÇAS

A arte de contar histórias proporciona à criança possibilidades de fazer diferentes leituras do mundo, podendo criar e imaginar situações que a faça estabelecer relações consigo própria e com o mundo que a cerca. A história proporciona o desenvolvimento da criatividade, possibilita o desenvolvimento da autoestima, da confiança da criança, o que afeta o seu pleno restabelecimento, como mostram alguns trabalhos que salientam o seu uso terapêutico para favorecer a recuperação de crianças hospitalizadas ou não, conforme Araujo (2009).
Quanto ao conteúdo, as histórias infantis trazem um misto de realidade, ficção, mito e a criança necessita do contato com estes elementos para que se garanta seu desenvolvimento pleno. Ela precisa saber que o lobo mau é uma invenção que está na história, que a Chapeuzinho Vermelho é uma menina inventada, mas que na realidade existem, de fato, lobos e meninas. A forma de trabalhar com estas questões é que tem de ser pensada e assumida criticamente e a partir de reflexão, baseada em argumentos teóricos fortes.

A contação de histórias é do tempo em que as brincadeiras eram de esconde-esconde, de bolinha de gude, de peteca, de amarelinha, de bandeirinha, de pique pega. As cantigas de roda eram, por exemplo, atirei o pau no gato, ciranda cirandinha, corre cotia, o passa anel, fui no Itororó, a carrocinha, a rolinha, entre outras. Estas estão praticamente esquecidas e se perdem no tempo. As crianças já não conhecem as letras porque hoje existem as mídias, os computadores, brinquedos eletrônicos e TV, os quais ocupam o tempo das crianças e elas ficam impedidas de aprender e gostar das brincadeiras de roda.
Quanto aos pais, a jornada de trabalho e o consumismo exacerbado os impedem de passar mais tempo com os filhos e transmitir a eles, através da oralidade, os conhecimentos aprendidos de seus antepassados como pais, avós, tios, vizinhos, compadres. Nas experiências de estágio nos últimos anos, foi recorrente a prática de colocar as crianças durante um longo período em frente à TV, sendo que estas poderiam ter desenvolvido atividades mais desafiantes e interessantes, que proporcionassem, de fato, o desenvolvimento nos aspectos físico-motor, social, afetivo, cognitivo e moral. Assistindo TV, a criança se mantém inerte por períodos que ultrapassam sua capacidade de concentração e de permanecer “quieta”. Desta forma, visando atender as recomendações contidas no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil no que se refere às atividades com as crianças, além das atividades de artes, os projetos contemplam também atividades de corpo, som e movimento para dar a estas crianças o direito de exercer o que mais lhes envolve: o movimento dentro de uma perspectiva lúdica.

Apesar desta constatação, percebe-se que a contação de histórias está sendo resgatada e a criança que tem a oportunidade de ouvir histórias se sente mais feliz, mais liberta, a criança passa a ter o prazer de parar o que está fazendo para ouvir a história e pedir ao contador que conte outra vez. Dessa maneira é perceptível quando o contador de história se torna um amante, faz com prazer e com alegria.

Cada vez mais a conduta infantil é marcada pelos clichês, pelas citações e imagens emprestadas. “A TV traz o mundo para você”. O imaginário contemporâneo é entregue a domicílio. A criança é submetida a um profundo condicionamento cultural, e é sobre estes conteúdos que a criança vai operar. A ilustração, o desenho animado, a história em quadrinhos, a propaganda, a embalagem são representações que se tornam quase realidades. O elefante desenhado é mais verdadeiro e presente do que o verdadeiro elefante que mora no zoológico, onde a criança raramente vai. Vivemos hoje sob o signo da ficção e da paródia (DERDYK, 1989).
Quanto ao aspecto afetivo, Sunderland (2005) afirma que as crianças não sabem lidar com os sentimentos: a raiva, a tristeza, os medos, a solidão. Elas não sabem o que fazer e como fazer para resolver os seus conflitos internos e externos. Às vezes, elas se manifestam dizendo que estão chateadas ou tristes. Os adultos procuram resolver a situação de uma forma muito complexa para o nível de desenvolvimento e a capacidade de compreensão da criança que, muitas vezes, ainda não consegue compreender a linguagem do adulto. Para entrar no mundo da criança é preciso usar de metáforas e as histórias podem ser o caminho, porque, ao ouvi-las, a criança sai do seu mundo real e entra num mundo do faz-de-conta, de fantasias. Ela consegue penetrar num mundo onde todas as coisas são possíveis. Ao narrar uma história, imediatamente o ouvinte ou mesmo o leitor afasta-se do seu mundo real. É esse distanciamento que proporciona a liberação de sentimentos e a externalização de seus medos, alegrias, desejos etc.

FONTE: http://www.elo.ufv.br/docs/v2n1/04%20-%20005530112012%20-%20Artigo.pdf

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